Marco Antônio de Almeida, 2001.
Reproduzido com autorização do autor.
NOTAS:
1
Benjamin, Walter: Obras escolhidas vol. II - Rua de mão única. São Paulo, Brasiliense, 1987, p.235.
2
Borges, Jorge Luís: "O Livro". In: Cinco visões pessoais. Brasília, Editora da UNB, 1985, p. 10.
3
"Ninguém rebaixe à lágrima ou censure / Esta declaração de maestria / De Deus, que com magnífica ironia / Me deu os livros e a um só tempo a noite." Mais adiante: "Em minha sombra, a meia luz vazia / Exploro com meu báculo indeciso, / Eu, que me afigurava o Paraíso / Sob a aparência de uma biblioteca.". Jorge Luís Borges, "Poema dos dons". In: O fazedor, São Paulo, Difel, 1984, p. 49/50.
4
Manguel, Alberto: Uma história da leitura. São Paulo, Companhia das Letras, 1997, p. 277.
5
Palavra de origem hebraica, significa tradição, ensinamento recebido. É a principal tradição do misticismo judaico, e sua doutrina sustenta a possibilidade de uma "visão" direta dos atributos de Deus mediante o estudo de interpretações esotéricas, de ordem alegórica-numerológica, do texto bíblico do Antigo Testamento (a Torá) e de outros textos. Nessa linha, a principal obra cabalística é o livro do Zohar("Esplendor"), escrito no séc. XIII.
6
A referência à figura do universo como livro na obra de Borges é assinalada por Emir Rodrigues Monegal em Borges: uma poética da leitura. São Paulo, Perspectiva, 1980. Embora dialogando com este texto, procuramos desenvolver a analogia em outra direção.
7
Manguel, Alberto: Uma história da leitura. São Paulo, Companhia das Letras, 1997, p. 235.
8
Borges, Jorge Luís: "A Biblioteca de Babel". In: Ficções. Porto Alegre, Globo, 1976, p. 67/68.
9
Borges, Jorge Luís: "O jardim dos caminhos que se bifurcam". In: Ficções, op. cit., p. 81/82.
10
Borges, J. L.: "A Biblioteca de Babel", p. 62 e "O jardim dos caminhos que se bifurcam", p. 79.
11
Borges, J. L.: "O livro de areia". In: História universal da infâmia e outras histórias. São Paulo, Círculo do Livro, s.d., p. 318/319.
12
Borges, J. L.: "A escrita do deus". In: O Aleph. Porto Alegre, Globo, 1986 (6 ed.), p. 92.
13
Eco, Umberto: O nome da rosa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984.
14
Calvino, Italo: Se um viajante numa noite de inverno. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1982, p. 314.
15
Borges, J. L.: "O livro", op. cit.
16
Vide Benjamin, W.: "O narrador. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov." In: Obras escolhidas vol. I - magia e técnica, arte e política, São Paulo, Brasiliense, 1985, p. 198. Sobre o conceito de aura, vide no mesmo livro o ensaio "A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica."
17
Benjamin, Walter: "Guarda-livros juramentado" In: Obras escolhidas vol. II - Rua de mão única. São Paulo, Brasiliense, 1987.
18
Benjamin, W.: Obras escolhidas vol. II - Rua de mão única.
19
Essa desconfiança é ativamente produzida pelos governos em geral, através da construção ideológica de uma falsa dicotomia Livros / Realidade: "Com essa desculpa, e com efeito cada vez maior, a dicotomia artificial entre vida e leitura é ativamente estimulada pelos donos do poder. Os regimes populares exigem que esqueçamos, e portanto classificam os livros como luxos supérfluos; os regimes totalitários exigem que não pensemos, e portanto proíbem, ameaçam e censuram; ambos, de um modo geral, exigem que nos tornemos estúpidos e que aceitemos nossa degradação docilmente, e portanto estimulam o consumo de mingau. Nessas circunstâncias, os leitores não podem deixar de ser subversivos." Manguel, A., op. cit., p. 35.
20
Calvino, I., op. cit., p. 59.
21
Idem, p. 179.
22
Ibidem, p. 119.
23
Eco, Umberto: "O texto, o prazer, o consumo" In: Sobre os espelhos e outros ensaios. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1989.
24
Borges, J. L.: "O livro", op. cit., p. 11.
